O Regionalismo efeverscente de Getúlio Abelha

Quando me deparei com “Autópsia+”, logo me vi balançando os ombrinhos e sendo contagiado por uma espécie de magia, como se uma bebida de gosto doce entrasse no corpo para nos deixar leves e nos levar direto para a pista de dança. Sim, parece complexo, mas é delirante e deliciosamente contagiante.


Trata-se do álbum do multiartista piauiense Getúlio Abelha, que busca em um mix de referências, como a cena eletrônica, o forró, o bolero, o reggaeton, e ainda nos faz dançar até o chão ao som das batidas alucinantes do funk.


Tudo é uma miscelânea de letras debochadas, provocativas e sensuais que abordam os mais diversos temas. Em entrevista à revista Capricho, ele relatou: “Nunca tive medo de que ele não fosse coerente ou coeso, de que parecesse uma grande mistura, porque sempre tive a consciência de que o elo que faria tudo ser coerente é o fato de que sai de dentro de mim”.


O que mais gostei nesse trabalho é a regionalidade de Getúlio, mas, ao mesmo tempo, ele entrega um álbum pop, com tempero dos anos 90 e referências a divas como Madonna. É um material gostoso de dançar e que funciona em qualquer balada, sem deixar ninguém parado.


Nunca imaginei que faria um álbum que falasse sobre rebolar com a mão na cabeça enquanto a lágrima cai

Getúlio Abelha.

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